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[Fma] Son Of The Sin - Capítulo 1/??? Avaliar tópico: -----

#1 Membro offline   Ryushin_Dark 

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Postou 06 January 2010 - 02:27 PM

Ok, dessa vez eu não vou falar muito já que o que eu tenho pra falar esta nas notas antes da fic... Ahn... Eu não faço a miníma idéia de pra onde eu vou encaminhar eswsa fic ainda, então não liguem se tiver uma quebra de caminho na história de repente xD

Vamos lá então...

Nome: Full Metal Alchemist – Son of the sin (Filho do pecado)
Sinopse: Em breve (deixa andar um pouco a história para não contar coisas demais e saber pra onde exatamente eu vou).
Spoilers: A história não tem spoilers grandes, já que se passa depois da história original. Apenas algumas informações que apareceram até agora sobre alquimia, o portão da verdade e outras coisas aparecem nessa história. A maioria das informações é do mangá/Brotherhood, mas algumas também saíram do primeiro anime, cuja história difere da história do mangá, principalmente depois da parte do 5º laboratório... Mais uma coisa! (Tio do Jack Chan). A história começou a ser escrita quando o mangá estava no capítulo 102 (ultimo lido pelo autor, eu, até o inicio da história).
Notas do autor:
 Bem, sendo sincero, eu resolvi escrever essa história por que o povo só da atenção se tiver o nome de um anime famoso. Quanto mais famoso o anime mais leitores aparecem... Eu normalmente faço textos originais, já fazia um bom tempo que eu não escrevia uma FANfic, e essa é a primeira sobre um anime, as outras Fans foram sobre jogos... Bem, eu prefiro criar todo o universo, molda-lo como eu quiser, mas acho que vai ser divertido escrever uma Fanfic sobre um anime, ainda mais meu anime preferido ^_^.
 Eu resolvi não escrever uma história sobre o Ed e o Al pelo motivo do tópico anterior, eu prefiro criar totalmente as histórias. Eu não me dou muito bem com usar uma personalidade criada por outra pessoa nas minhas histórias, não fica muito bom, e por isso eu vou usar os meus personagens mesmo...
 Bem, como Full Metal Alchemist já é inglês, eu resolvi manter tudo em inglês mesmo. Son of the sin significa Filho do pecado. Eu só estava conseguindo pensar em New Moon (Nova Lua ou Lua nova), mas não consegui achar encaixar nenhuma das duas traduções na história . Detalhe que o nome New Moon não teria relação alguma com crepúsculo, filme o qual eu não vou muito com a cara, diga-se de passagem... Filho do pecado veio do “Corpo do pecador” e “Preço do pecado”, usados no manga/anime e relacionados com a transmutação humana que o Ed e o Al fizeram quando crianças...


Prólogo: O portão.

— Não! Depois de perder todo mundo, eu não vou perder você Sam! Minha mãe se foi, o Al se foi, a Winry se foi, eu perdi todos que eu amava, eu não posso perder você também...
Edward disse enquanto carregava um bebê envolto em panos pelas escadarias de sua casa. Edward agora tinha trinta e oito anos, estava mais alto, mas não muito, seu rosto estava mais quadrado, seus olhos menores e seu rosto mais sério. Seu cabelo continuava igual, embora agora estivesse grudado no seu rosto por causa do suor que encharcava seu corpo molhando o pijama azul que vestia e deixando marcas de seus pés nus no chão de madeira. Resumindo, estava parecido com seu pai. A casa era grande, dois andares, quatro torres, uma em cada canto, espaçosa e feita de madeira e pedra. Ele descia aos tropeços pela escada fracamente iluminada pela luz da lua e dos relâmpagos que entrava pelas janelas.
— Sam... Eu vou te trazer de volta, não importa o que custe... — Abrindo uma porta no fim da escada, ele desceu para o que parecia ser uma masmorra de castelo medieval, paredes de pedra parecendo sujas pelo limo e musgo que se acumulavam nas mesmas. Ele chegou a um laboratório e colocou a criança em uma mesa — Vejamos... — Edward disse enquanto se dirigia a uma estante com vários potes e frascos — Carbono... Amônia... Óxido de cálcio e fósforo... Droga, rápido!... Sal, Salitre, Flúor... Ferro... Ferro... m****, cadê o ferro? Aqui! Silicone... Pronto, agora a água e a alma. — Ele colocou tudo em um barril, medindo antes, e depois derramou água e, após cortar o dedo com uma faca, derrubou um pingo de sangue e misturou tudo, formando uma massa cinza e mal cheirosa. Então colocou a massa em cima de um plástico esterilizado e bateu as palmas das mãos. As lágrimas corriam pelo seu rosto e caiam no chão formando círculos irregulares. Ele olhou para o bebê na mesa e sorriu— Adeus Sam, desculpe-me... Desculpem-me, Al, Winry... Mamãe... Até logo!
Ele separou as mãos e tocou as mesmas na massa, fazendo com que pequenos raios começassem a sair das mesmas. Logo uma luz azul apareceu e os raios começaram a aumentar de tamanho e intensidade. A luz se tornou roxa e um olho apareceu no chão. Edward fechou os olhos quando mãos negras começaram a sair do olho e grudar em seu corpo, decompondo-o. Logo os sons da chuva e da transmutação sumiram e ele abriu os olhos. Agora estava em um lugar totalmente branco, de costas para um enorme portão.
— Já faz algum tempo, Edward Elric! — Em frente a Edward havia um homem da mesma estatura de Edward sentado. Seu corpo era totalmente branco e uma aura negra o envolvia. Tinha voz múltipla e falava lenta e calmamente.
— Sim... Faz algum tempo... O Portão da Verdade... Eu não achei que fosse ver esse lugar novamente... — Edward se virou, olhando para o grande portão com aquele estranho símbolo que lembrava uma raiz com círculos nas extremidades das ramificações e extensões que pareciam penas com elipses ou quadrados no meio do último circulo — E você é... O “Mundo”, o “Universo”, “Deus”, a “Verdade”, “Tudo” ou o “Único”, certo?! — Ele virou novamente para o homem que agora estava em pé.
— Faltou “Você”... Mas fico feliz de você se lembrar de mim...
— Como eu esqueceria...
— Bem, talvez nenhum esqueça, mas nenhum repete a burrice, então eu não sei se eles se lembram ou esquecem de mim... Também não são muitos que aparecem para conversar comigo... Desde que você e seu irmão apareceram, eu fiquei bastante solitário, poucos apareceram por aqui...
— Bem, não sei se pode-se dizer que eu “repeti o erro”... Eu vim por vontade própria dessa vez. Eu quero fazer um contrato...
— Contrato, huh? Bem, faça sua oferta...
— Eu quero trocar meu corpo e minha alma... Pelo corpo e alma do meu filho. Ele morreu há pouco tempo e seu corpo ainda deve estar no portão... Você pode fazer isso, não pode?
— Claro que posso... Eu posso fazer tudo, eu comando esse mundo e as coisas acontecem segundo a minha vontade... Seu pedido não é muito comum e normalmente eu não aceitaria, isso poderia acabar com o equilíbrio das coisas... Mas você já é um cliente antigo, me deu uma perna e um braço... Fora o corpo do seu irmão. Um vivo por um morto... Acho que não tem problema...


O portão começou a se abrir atrás de Edward e o mesmo olho apareceu na escuridão atrás do homem. Várias pequenas mãos saíram do portão e puxaram Ed para dentro enquanto este sorria mesmo com as lágrimas descendo pelo seu rosto e então o portão se fechou lentamente. Na casa o bebê começou a chorar em cima da mesa.

Capítulo 1: Teste de admissão.

— Olha, é o filho do Full Metal! — Um jovem de cabelos negros e curtos cochichou se aproximando do ouvido do homem ao lado.
— Sim, eu soube que ele vai prestar o exame também. — O outro, mais velho e de cabelos loiros e também curtos respondeu imitando o tom.
— Parece que ele tem a mesma idade do pai quando se tornou alquimista... — Um terceiro informou após escutar a conversa.
— Sim... Ouvi dizer que ele é tão bom quanto ou melhor que o pai... Dizem que ele foi treinado pela sra. Izumi.
— A sra. Izumi? Isso é injusto... — O loiro disse olhando para o garoto que andava meio perdido pelo corredor.

Estavam no quartel general dos alquimistas federais, na Central de Amestris, treze anos depois da morte de Edward Elric. Samuel Elric agora tinha treze anos, era baixo, cabelo loiro, cortado na altura da nuca com duas franjas caídas para os lados e olhos azuis. Usava uma camiseta vermelha e uma calça preta mais larga que o necessário. Ele parou perto de um oficial, vestido de azul, careca, negro e alto.

— Com licença, onde é a prova?
— Ahn... Bem, é ali, senhor. —
O homem disse apontando para o lugar de onde Sam tinha acabado de sair.
— Ah, aquela arena lá atrás... Bem, eu achei que tinha algo acontecendo lá... — Sam disse olhando para trás — Bem, muito obrigado, senhor... — Ele se virou e voltou por onde veio com as mãos nos bolsos da calça.

Ele chegou a um extenso campo aberto na parte de trás do quartel. O solo era arenoso e a areia formava nuvens quando o vento soprava. Havia um pequeno lago perto de uma mini-floresta com árvores, grama, etc.. Samuel seguiu em frente, parando no meio do campo cheio de pessoas. Ele olhou em volta, observando o local, até que viu um rosto conhecido em meio à multidão.

— Sarah! — Ele disse enquanto se dirigia à uma garota sentada no chão com as costas encostadas na parede.
— Oh, Sam! Ah quanto tempo... — A garota respondeu, levantando e sorrindo para Sam — Você cresceu... um pouco... — Ela disse em tom sarcástico. Era um pouco mais alta que Sam e tinha treze anos, alguns meses mais nova quem Sam, cabelos negros e longos, presos atrás fazendo um rabo de cavalo e olhos castanhos de um tom amadeirado. Usava uma regata preta, justa, enfiada em uma calça militar cinza.
— O que você quer dizer com isso? — Sam perguntou irritado com a insinuação.
— Haha! Parece que sua altura não é a única coisa que não mudou muito... Vem, vamos ver meus pais! — Ela pegou o garoto pelo pulso e puxou-o até uma bancada em cima de um patamar alto o bastante para ver todo o campo. No meio da bancada estavam sentados um homem de cabelos negros e uma mulher loira.
— Oh, olá senhor Elric! Você não aparece há um bom tempo! Vejo que resolveu deixar seu cabelo igual ao do seu pai... — O homem disse, sem tirar os olhos de alguns papeis sobre sua mesa — E parece que também deixou sua altura igual à dele.
— Oi Mustang velhaco... Eu ainda não entendo como você consegue me ver sendo um cego inútil... — Sam respondeu à ofensa do homem, mais irritado ainda por continuarem chamando-o de anão.
— Oh, eu tenho que me adaptar aos problemas, se não eu não mereceria o cargo de Fürher... À propósito, se você passar no exame vai ficar à minha mercê... — Era um homem de estatura média, cinquenta e cinco anos, olhos brancos, pele um pouco enrugada, cabelo negro, liso e curto. Estava vestido com o uniforme do exército, colete azul, camiseta preta por baixo e calça também azul. Além disso usava as luvas especiais com os círculos de alquimia nas costas.
— Sim, eu sei... E não é “se”, é “quando”!
— E mesmo assim quer continuar? Você é bem corajoso, garoto... Igual ao seu pai.
— Ah... Sim, meu pai... Eu não sei muito sobre ele, mas acho que na época que ele entrou para o exército as coisas eram piores, não eram?
— Sim... As coisas mudaram muito... Graças a mim, é claro.
— Ele era um ótimo homem, Sam... —
A mulher ao lado disse, olhando para Sam e Sarah depois de terminar uma pilha de papéis em cima da mesa.
— Ah, Bom dia sra. Hawkeye... A sra. continua bela, diferente do bode velho do seu marido...
— Muito obrigado! — Ela respondeu com um sorriso enquanto Sarah tentava entender a diferença entre o a forma como o garoto tratava sua mãe e seu pai. Riza Hawkeye continuava parecida com quando era jovem, mesmo depois de trinta anos. Agora tinha cinqüenta e três anos [Eu estou considerando que quando Edward tinha quinze anos, Roy tinha vinte e cinco e Riza vinte e três. O Ed morreu com trinta e dois, dezessete anos depois da história original e mais treze anos se passaram após sua morte], cabelo começando a ficar branco, a pele ainda lisa, embora já houvesse perdido muito da elasticidade de antigamente, e os mesmos olhos da filha — Você já fez a inscrição, Samuel?
— Hã? Que inscrição? —
Sam perguntou confuso.
— Você não fez a inscrição ainda, Sam?! — Sarah perguntou surpresa.
— É, parece que você também puxou a falta de noção do seu pai.
— Fica quieto, velhote... Eu não sabia que precisava se inscrever...
— Onde estão seus documentos?
— Bem... Aqui... Droga, a vovó podia ter me avisado... —
Ele tirou alguns papeis do bolso e entregou à Sarah, que entregou-os à Riza.
— Não precisa, nós já fizemos suas inscrição... — Ela devolveu os papeis para Sam com um sorriso.
— Hã? Mas como vocês sabiam que eu ia me inscrever esse ano?
— A sra. Izumi nos enviou os documentos e pediu para fazermos sua inscrição.
— Mas... Ela disse que eu não podia. Eu tive que vir escondido...
— Você veio escondido? —
Sarah perguntou quase gritando.
— Idiota... Você acha mesmo que conseguiria sair sem ela saber? E acha que ela já não teria vindo te buscar aqui, mesmo que tivesse que destruir todo o quartel sozinha? — Roy perguntou, enquanto brincava com uma caneta.
— É, você tem razão...
— Querido... Já esta na hora.
— Ah sim, você tem razão... Bem... —
Ele levantou e pegou o microfone que um homem lhe entregou —... vamos começar o Teste de Admissão de Alquimistas Federais!
Capítulo 2: Teste de admissão.

— Os que estão aqui já passaram pelo teste escrito...
— Que teste escrito? — Sam sussurrou para Sarah enquanto os dois desciam do patamar.
— Ah sim, minha mãe me falou sobre isso... Eles deixaram você passar direto, afinal, você foi treinado pela srtª. Curtis... Se bem que com esse corpo pequeno, o cerébro não deve ser muito grande também...
— Quem você tá chamando de baixinho, droga!
— Pare de gritar, pirralho idiota! — Mustang gritou de cima do patamar, fazendo com que os poucos que ainda não o faziam olhassem para Sam.
— Desculpa!... Droga, viu o que você fez? — Sam voltou à sussurrar.
— A culpa não é minha se você é um idiota...
— Bem, se ninguém mais quiser me interromper... Vocês podem usar qualquer coisa nesse campo como material de transmutação. Como vocês sabem, eu não posso ver, mas isso não me impede de saber o que cada um de vocês esta fazendo, inclusive, colocar o dedo no nariz é um costume muito feio, senhor... Ele olhou para um garoto no meio da multidão. Todos olharam para o garoto, que automaticamente abaixou a mão e colocou no bolso da calça, ficando totalmente vermelho — Além de mim há vários outros observando e... Bem, já chega de bater papo, comecem! — Assim que disse isso os participantes se dispersaram.
— Bem, o que você vai fazer? — Sam perguntou para Sarah.
— Já tenho tudo planejado, não estou com pressa... E você?
— Eu não sei ainda... Não pensei nisso. — Ele disse enquanto olhava em todas as direções.
— Você veio sem nem ter idéia do que vai fazer?
— Pois é, hehe... — Ele coçou a parte de trás da cabeça.
— Você é um idiota mesmo... Vem, você pode me ajudar... O que você sabe fazer? — Ela começou a andar em direção ao lago, sendo seguida por Sam.
— Bem, sei lá... Um monte de coisa.
— Certo... — Os dois permaneceram em silêncio até chegarem na borda do lago. Alguma pessoas já circundavam o mesmo, alguns com livros na mão, outros riscando o chão com gravetos, giz ou algo do tipo — Você pode... — Ela começou a falar depois de tirar duas luvas do bolso e começar a coloca-las —... evaporar essa água?
— Quanto dela? — Ele disse enquanto olhava para o lago e pessoas ao redor deste.
— Toda.
— Posso, sem problemas... Mas, você não tem que deixar água pros outros?
— Nah, garoto chato... Certo, acho que uns... Quarenta por cento deve dar... Certo, vamos começar... — Ela disse já com as duas luvas na mão. As luvas eram brancas e havia um circulo de alquimia com dois triângulos com as bases se encontrando e as pontas tocando no circulo. No topo havia um cristal em forma de losango — Pronto?
— Sim...
— Então pode começar a desenhar...
— Desenhar? Hahahaha... —
Ele deu uma gargalhada e depois voltou a ficar sério — Eu não preciso disso...
— Hã? — Antes que ela pudesse ter alguma reação, ele bateu as palmas das mão e tocou as duas na água. Automaticamente a àgua começou a evaporar fazendo com que todos se afastassem. Voltando do seu estado de surpresa, Sarah rapidamente se aproximou do lago e levantou as mãos. Todos os participantes e jurados começaram a prestar atenção no que os dois jovens faziam. Os circulos nas mãos de Sarah começaram a brilhar e soltar faíscas. Logo um fraco clarão se fez e quando sumiu várias estacas de gelo pairavam no ar. Ela recuou rapidamente, puxando Sam pelo braço, bem na hora em que as estacas cairam na água, ficando apenas pequenos pedaços das superfícies acima da água. Uma onda de bater de palmas e assovios tomou conta do ar, ficando apenas os jurados e alguns mais invejosos de fora.
— Droga, o que foi aquilo, você quer morrer?! — Sarah perguntou enquanto se levantava.
— Eu ia lá saber que você ia fazer uma coisa dessas! Você podia ter matado alguém com aquilo!
— Eu não achei que algum idiota ficaria perto do lago. A idéia era te explicar enquanto você desenhava o circulo... Como você fez aquilo?!
— Bem, eu não sei exatamente, eu já perguntei pra vovó Izumi, mas ela sempre fica enrolando e nunca explica direito.
— Entendo... —
Ela foi em direção à algumas mesas onde haviam panos e garrafas com àgua. Lá ela pegou duas garrafas e usou as luvas para esfriar a água. Depois do exterior da garrafa ficar branco, ela jogou uma para Sam e abriu a outra.
— Um tanto ironico, não? — O garoto disse enquanto olhava para a garrafa.
— O que é ironico? — Ela perguntou, mantendo um dos olhos fechados e fazendo careta por causa da frieza da água.
— Você, filha do grande Alquimista das Chamas, ser especializada em gelo... — Ele respondeu, também fazendo careta.
— Ah, é essa a intenção... Eu não gosto de ser conhecida como "A filha do Flame Alchemist" ou "A filha do Führer". Então eu tento seguir um caminho diferente do dele...
— Entendo... Eu até gosto de ser conhecido como " O filho do Full Metal Alchemist" ou o "Neto da grande Izumi Curtis". Todos ficam impressionados, hehe...
— Pff, você é uma criança mesmo...
— Ei, eu sou mais velho que você, lembra?!
— Só alguns meses. Além disso, sua idade mental é a de uma criança de sete anos... Sem falar do tamanho...
— Droga, dá pra vocês pararem de falar do meu tamanho?!
— A culpa não é minha se você é minúsculo...


A discussão continuou por mais alguns minutos enquanto os outros candidatos completavam suas apresentações. Logo todos os candidatos se uniam novamente em frente ao patamar esperando pelo Führer Roy Mustang. Alguns minutos se passaram e o mesmo apareceu, andando com os braços para trás, uma mão segurando o pulso do outro braço, olhos perdidos no espaço e cabeça levantada, com um ar sério no rosto. Atrás dele vinham Riza Hawkeye e um homem de estatura mediana, cabelos loiros e olhos azuis, vestindo o uniforme do exército. Ele subiu e foi até a bancada, onde, de pé, pegou o microfone e começou a falar:

— Muito obrigado à todos, o resultado será anunciado em dois dias, compareção ao quartel general para saber seus resultados. Boa sorte à todos, até logo... — A multidão se dirigiu para a saida, ficando apenas Sam, Sarah, Roy, Riza e outros oficiais.
—Bem, acho que agora eu tenho que voltar para casa... Você pode me avisar pelo telefone? Eu não tenho onde ficar na Central e também não vou viajar para cá novamente. — O garoto disse, sentando ao lado de Sarah no segundo degrau da escada do patamar.
— Não precisa, você vai ficar na nossa casa. — Roy apareceu repentinamente atrás dos dois, assustando Sam.
— Eu não trouxe roupas pra isso, só tive tempo de pular a janela e correr para pegar o trem.
— Izumi já havia planejado tudo, ela me ligou há uns dias atrás e enviou uma mala com algumas coisas, deve dar para esses dois dias. Depois você pode voltar e pegar o resto... Se você passar, é claro.
— "Se" não, "Quando"! —
Sam disse, seus olhos ardiam em chamas enquanto falava isso, mostrando sua determinação.

Roy se perde no tempo, lembrando de Edward, da determinação em recuperar o que havia perdido e sua capacidade de fazer o que queria. Ele passou algum tempo olhando para o garoto, mesmo sem poder ver, pensando em sua falta de capacidade. Suas prórpias palavras ecoaram em sua mente: "Vou proteger todos aqueles abaixo de mim, para que eles possam proteger aqueles que estão abaixo deles" [Ele diz isso no mangá, só não me recordo quando ou para quem...].


— Humph, que piada... — Ele deixa escapar em tom baixo.
— O que?[/i]
— Ahn?! Ah, nada... Segundo Tenente Franklin, leve-os para minha casa por favor... — Roy diz para o homem que o seguia.
— Sim senhor! Venham comigo, por favor... — Ele dá um sorriso para os dois e segue para a saida. Fora do quartel os três entram em um carro preto, modelo antigo. Sam e Sarah sentaram no banco de trás e Franklin no banco do motorista. O carro seguiu pelas ruas de paralelepipedos, indo em direção ao sul da cidade.

O silêncio prevaleceu no carro durante todos os trinta minutos da viagem, sendo quebrado por curtas palavras trocadas entre os três. O carro parou em frente a um grande portão de barras de ferro, formato de arco com algumas decorações em formato de aves nos dois lados do portão. Franklin buzinou.e logo uma mulher em trajes de empregada saiu da casa e abriu o portão. Assim que o carro parou em frente à porta os três desceram, felizes por poder esticar as pernas.


— Nossa, é maior do que eu lembrava... — Sam falou enquanto olhava para a casa. Era uma casa de dois andares [Lembrando: Terréo, primeiro e segundo andar], pintada de branco, larga e com várias janelas. Na frente da porta havia três degraus de pedra, cobertos por uma grande sacada de madeira. A porta era grande, dois lados, feita de madeira envernizada com maçanetas redondas e folheadas com prata e que só não reluziam por causa da sombra da sacada.
— É, faz um bom tempo desde a ultima vez que você veio aqui...
— Sim, nós eramos crianças ainda, brincando com uma bola de borracha e correndo feito uns bobos... — Ele olhou para baixo e deu sorriso timido.
— Pois é... Faz um bom tempo... — Ela olhou para ele e corou um pouco — Faz bastante tempo que não nos viamos, ele cresceu bastante... menos na altura... — Ela pensou, se perdendo nas lembranças por um tempo. Acordou com a voz de Franklin dizendo que ia voltar para o quartel.

O homem entrou no carro novamente e foi embora. A parte de fora da casa não era tão espaçosa, um pouco mais comprida que a casa e alguns metros de largura. Havia um pequeno circulo com uma arvore e algumas flores, o resto do espaço era preenchido com paralelepídedos. Os dois entraram na casa, seguidos pela empregada.

— Sua mala está no primeiro quarto de hóspedes, senhor. — A mulher se dirigiu a Sam com um sorriso. Era de altura mediana, cabelos negros, lisos e curtos, fazendo curvas para a frente do meio para o fim. Seus olhos eram castanhos e seu rosto mais branco que o normal — Srtª., quer algo?
— Não, obrigado Priscila.
— Certo, então vou voltar ao trabalho. — Ela se inclinou para frente e foi embora.
— Vem, eu vou te mostrar seu quarto. — Ela começou a subir a escada, deixando para trás o garoto que observava a casa. Estava em um salão espaçoso, duas escadas, uma de cada lado em forma de semi-circulo. Antes da escada a sua frente havia uma porta e entre as duas escadas um largo corredor onde se podia ver uma forte luz vindo do fundo. Em cima duas portas levavam à dois corredores mais estreitos onde ficavam os quartos e entre as duas outra porta dava entrada a uma espécie de escritório — Hey, acorda!
— Ahn? — Ele disse como se acabasse de ser acordado — Ah, desculpa. — Ele correu e subiu as escadas, chegando à porta onde a garota já o esperava.

Ela o levou ao primeiro quarto do corredor. Não era muito grande, uma cama no canto esquerdo, de madeira, branca, coberta com um lençol e cobertor brancos e com um macio e grande travesseiro. Do lado direito havia um guarda roupas de madeira envernizada, três pares de portas grandes e mais três pares de portas pequenas em cima, enfeitadas com ramos esculpidos na madeira que terminavam em lírios. Entre os dois havia uma janela que dava visão à um jardim que separava o pavilhão frontal do traseiro, e aos quartos do outro corredor. Uma escrivaninha estava encostada na parede perto da porta, com uma cadeira almofadada, e em cima havia papel, caneta e um abajur. Ele entrou e logo viu uma pequena mala de couro em cima da cama. Abrindo-a ele encontrou algumas roupas, acessórios e um bilhete de Izumi que dizia o seguinte:
" Querido Samuel,
Eu vou te matar quando você voltar, então aproveite bem sua estádia na Central. Espero que pelo menos passe no exame. Não ache que me enganou, eu planejei tudo isso desde o começo, apenas quis ver se você realmente tinha a capacidade de fugir dessa forma. Ligue assim que puder... E tome cuidado... Até logo."
Ele sorriu e colocou o bilhete na mala. Ele olhou para trás, já abrindo a boca para falar com Sarah, mas a garota já havia saído. Sam virou, um pouco perdido e foi para a janela. O sol já começava a desaparecer, marcando o céu com tons de laranja. Depois de tirar a mala de cima da cama ele sentou na cama e suspirou. Seus olhos passaram lentamente pelo quarto e parando no guarda roupas. Deitando-se na cama, ele ficou observando os detalhes do guarda roupa até cair no sono.


Capítulo 3: Passado

**Treze anos atrás**
— Edward? Ed? Onde você está? — Izumi entrou na casa, cuja porta estava destrancada e subiu as escadas, descendo logo depois de ver que não havia ninguém no andar de cima. Ela parou no meio do salão de entrada e, após alguns segundos, percebeu o som do choro de uma criança vindo de uma porta aberta no fim da escada. Rapidamente ela desceu a escada, chegando à sala onde uma vela quase acabada balançava suas fracas chamas. Em cima da bancada ela viu Sam enrolado em lençóis. Izumi pegou a criança e começou a balançá-la, tentando fazê-la parar de chorar — Calma... O que você está fazendo aqui?... — Sua voz sumiu ao ver Edward caído no chão. Ao seu redor havia um ciruclo de transmutação e do seu lado a massa mal cheirosa com os elementos de um corpo humano. A mulher rapidamente correu até Edward com a criança em seus braços e se abaixou do lado do mesmo, pegando seu braço para checar o pulso — Droga Ed... O que você fez?...

Ela voltou para o salão e pegou o telefone do lado da porta, sem parar de balançar o garoto em seus braços, que chorava desesperadamente. Izumi ligou para um médico e então voltou para o laborátório onde Ed estava. O corpo de Ed foi levado e Izumi passou a noite acordada, com Sam no colo, sentada na sala de estar, seu pensamento indo longe, para o filho que havia perdido, seus erros, suas tristezas, tudo que havia acontecido em seus sessenta e dois anos de vida. Sua negatividade narutal, junto com as circunstâncias faziam com que só esses pensamentos passassem pela sua cabeça. Perdeu três filhos, um há muito tempo atrás, antes mesmo de poder conhecê-lo. Ganhou mais dois e algum tempo depois perdeu mais um. E agora seu ultimo filho se foi. Todos iam, enquanto ela continuava ali para ser castigada pelos seus pecados. Uma lágrima teimosa tentou escorrer de seu olho enquanto esses pensamentos passavam pela sua cabeça, mas ela a enxugou antes que pudesse sair.
A noite passou dessa forma, o sol despontou no horizonte, os pássaros começaram à cantar, sendo interrompidos pelo som dos carros chacoalhando na rua de paralelepipedos. Tudo passava desapercebido, como se o mundo todo tivesse sumido. Ela só voltou quando o som insistente da campainha tocou pela décima vez. Levantando com cuidado para não acordar Sam, ainda dormindo no seu colo, ela foi até a porta. Atrás dela o médico estava de pé, baixo, um bigode branco, olhos azuis, desbotados pelo tempo, enfiado em um paletó preto e com um chapéu cobrindo a calva e deixando à mostra os restos de cabelos grisalhos dos lados e atrás para dar a impressão de que ainda tinha cabelo.


— Oi doutor... — Ela sussurrou, tão baixo que o homem quase não escutou.
— Olá srta. Izumi. — O homem respondeu, sem conseguir se comover depois de tanto tempo trabalhando como médico legista — Meus pêsames, o sr. Edward era um ótimo homem... A srta. tem um pouco de café?
— Ahn? — Ela passou alguns segundos buscando os sons perdidos para conseguir entender o que o homem havia dito — Ah sim... Não, mas eu vou fazer, já volto... — Ela colocou o bebê em uma cestinha perto da cadeira onde o homem estava sentado e saiu para a cozinha. Passou alguns minutos lá e logo voltou com duas xícaras de porcelana com enfeites floridos em uma bandeja de prata. Após colocar a bandeja na mesinha de madeira e dar uma xícara para o homem e pegar a outra para sí, ela sentou-se na cadeira em frente e tomou um gole do café.
— Obrigado, eu não tive tempo para comer nada ainda. — Ele disse enquanto colocava açúcar no café, mais do que o necessário para adoçar o dobro daquela quantidade — Então, nós terminamos a autópsia, mas não descobrimos exatamente a causa mortis. Foi por causa natural mas não encontramos qualquer motivo para isso. Só constatamos que não há cortes, lacerações, hematomas ou qualquer sinais de agressão física. Seu corpo simplesmente parou de funcionar... A senhora disse que quando chegou a porta estava aberta?!
— Sim, mas isso é comum, ele sempre deixa a porta aberta...
— Não havia ninguém aqui quando você chegou?
— Não, só ele... —
Ela apontou para a criança que ainda dormia no cesto.
— Certo... E porque a sra. veio aqui?
— Eu moro na casa da frente e vi uma luz estranha. Então vim ver se estava tudo bem...
— Uma luz?
— Sim, uma luz roxa...
— Hum... E a sra. faz alguma idéia do que pode ter acontecido?
— Não... —
Ela respondeu depois de alguns segundos de hesitação.
— Bem, é só isso. Aqui... — Ele tirou um envelope do bolso e entregou para Izumi — Isso estava no bolso dele, é para você — O homem tomou o último gole de café e colocou a xícara em cima da mesa e se levantou, agradecendo mais uma vez.

— Obrigado... — Izumi pegou o envelope e olhou para o mesmo. Na frente estava escrito em vermelho: "Para Izumi Curtis, Entregar em mãos.". Ela acompanhou o doutor até a porta e depois de fechar a porta e voltar para perto de Sam, ela abriu o envelope e começou a lê-lo:
"Izumi... Me desculpe, eu sei que você me mataria se eu não fizesse isso antes, mas eu não podia perder o Sam, não agora, não depois de perder todos... Ele foi o único que me restou, meu único filho, eu não posso deixar ele morrer assim. Eu vou fazer um acordo com "Ele"... Se tudo der certo, eu vou conseguir trazer ele de volta... Izumi, eu quero que você cuide dele, como você cuidou de nós. Mantenha ele seguro, ensine-o... Faça o que eu... o que nós não podemos fazer mais. Eu confio minha vida à você. Espero que me perdoe por isso... Muito obrigado, adeus.".
Essas últimas palavras foram adivinhadas, já que as lágrimas molharam o papel tornando impossivel lê-las por inteiro. Seus olhos agora despejavam tudo que havia segurado na noite passada. As rugas já despontavam de sua face, seus olhos haviam perdido a luz, seus cabelos ficavam cada vez mais brancos e sem brilho, mesmo assim, havia ganhado uma nova chance, um novo filho, um novo motivo para continuar em pé. O choro da criança a trouxe de volta à realidade. Ela pegou o garoto e começou a balança-lo enquanto as lágrimas molhavam seu rosto.


Capítulo 4: Passado – Parte 2

Sam havia caído em um sono pesado e agora, em seus sonhos, se via ocupando o posto de Führer, seu pé em cima da cabeça de Roy em atitude triunfante e várias mulheres o idolatrando. Tudo parecia perfeito, até que, de repente, o rosto de Sarah cobriu tudo. Um largo sorriso aberto de orelha à orelha, dois olhos fumegantes e uma expressão de raiva faziam com que a imagem lembrasse uma máscara de mulher demoníaca. Ela gritava "Acorda, Sam, seu dorminhoco!".

— Aaaaaaaaahhhhhhhh! — Sam levantou de repente, gritando. Suava muito e parecia estar com muito medo de alguma coisa.
— Aaaah! — Sarah se assustou com o grito do garoto, gritando também. Ao fazer isso, Sam que havia acabado de parar de gritar, começou a gritar novamente, vendo que seu pesadelo estava se tornando real.
— Droga! O que você está fazendo aqui? — Ele perguntou quando finalmente conseguiu parar de gritar. Arfava e suava como se tivesse corrido uma maratona.
— Eu vim te chamar pra jantar! Eu é quem devo perguntar: porque você gritou desse jeito? Tava com medo do bicho papão? — Perguntou Sarah, em tom zombeteiro.
— Não, pior, eu sonhei com você!
— E porque acordou gritando?
— Porque? Você ainda pergunta? Qualquer um gritaria! Eu ainda fui muito corajoso, outros teriam pulado pela janela...
— Ah, seu! Certo, fique aí! Espero que morra de fome! —
Parecia estar realmente nervosa, principalmente pela batida que deu na porta ao sair do quarto. Sam, que já estava acostumado com esse tipo de coisa, apenas ficou rindo, sentado na cama. Depois de um tempo, levantou e desceu para a sala de jantar.

Ele já conhecia a casa, então não teria dificuldade alguma de encontrar o lugar, mesmo depois de tanto tempo sem ter ido lá. Antes, porém, parou no salão de entrada. Olhou para a passagem larga entre as escadas, agora iluminada artificialmente por algumas lâmpadas nas paredes. Andando descontraidamente, passou pelo corredor e chegou à um espaço coberto por grama com algumas árvores rentes a um caminho de pedras que formava um quadrado em volta da grama. Do outro lado havia uma entrada que dava para a ala traseira. Alguns postes deitavam sua luz amarelada sobre a grama e o caminho de pedras. Sam deu alguns passos sobre a grama e olhou para o alto. O céu escuro mostrava que havia dormido durante todo o final da tarde. As estrelas começavam a brilhar e a lua se escondia atrás do edifício à sua frente. Sentando na grama, ele abraçou os próprios joelhos e manteve seu olhar naquele céu estrelado que lhe parecia tão próximo que poderia pegar quantas estrelas quisesse sem problema algum.

— Pai... — Pensou Sam. Não conhecia muito sobre seu pai, havia todo um mistério rodeando essa figura que só conhecia por fotos. Izumi, Roy, Riza, todos que conhecia não lhe davam qualquer informação sobre ele. Só sabia que seu pai tinha sido um grande homem e alquimista, admirado por todos. Sempre que ouvia alguém falar seu nome a voz vinha carregada de saudade e admiração.
— A gente costumava brincar muito aqui, lembra? — Sarah apareceu de repente, assustando novamente o garoto, mas não a ponto de fazê-lo gritar dessa vez. Sentou-se sobre as próprias pernas ao lado de Sam e abriu-lhe um sorriso carinhoso. Parecia ter adivinhado o que o garoto pensava naquele momento.
— É... Eu lembro que você sempre chorava quando eu tinha que ir embora. — Ele respondeu, dando um sorriso em parte carinhoso em parte zombeteiro.
— Você também! E não só por isso, você chorava por tudo... Eu lembro que uma vez você chorou porque eu roubei seu pedaço de bolo.
— Eu não lembro disso! Eu lembro que te defendi de um garoto que tentou puxar seu cabelo, mas essa história do bolo não.
— Claro, você só lembra do que te é conveniente! Aposto que se fosse o contrário você lembraria. — Os dois riram por algum tempo e depois um longo silêncio deixou que o canto dos grilos e sapos tomasse conta do lugar.

Os dois começaram a trazer de volta velhas lembranças. Haviam se conhecido ainda bebês quando Edward levou Sam à casa de Roy em uma visita de amigos, logo depois de Riza ter dado a luz. A visita durou uma semana e depois disso Edward voltou para Rizenpool [Há muita controvérsia quanto ao nome Rizenpool, já vi várias escritas pro nome, dependendo do tradutor, mas vou usar essa por achar que soa melhor] com Sam. Depois disso, Edward morreu e Sam foi morar com Izumi, a quem passou a considerar uma vó-mãe e lhe criou durante todo esse tempo. Nesse meio tempo, entre seus seis meses até seus treze anos, os dois haviam se visto menos de dez vezes em algumas visitas de Izumi à central ou de Roy à Rizenpool. Uma dessas visitas, sobre a qual os dois conversavam sentados sobre a grama e sob as estrelas, aconteceu a sete anos, no aniversário de seis anos de Sarah:

— Sarah não me pega! — Um garoto gritava, correndo no quintal na parte de trás da casa e fazendo caretas na direção de Sarah, que, zangada, corria atrás dele e de outros garotos e garotas. Seu rosto estava vermelho de cansaço e raiva por não conseguir pegar os garotos.
— Sarah, o Sam chegou! — Riza disse, aparecendo na porta do quintal. Atrás dela um garoto tímido estava agarrado em sua perna.
— Sam! — Sarah esqueceu das outras crianças e correu na direção de Sam, um largo sorriso em seu rosto. Sam, agora também sorrindo, saiu de trás da perna de Riza que, após ter terminado sua missão, voltou para perto do marido e de Izumi que conversavam em outro lugar.
— Sarah! — O garoto disse, seus olhos brilhando ao ver a imagem da garota que não encontrava há dois anos. Os dois sorriam como se nada mais importasse, seus olhos infantis desprovidos de medo, ódio, dor e outros sentimentos que nos tornam adultos.
— Vem, vamos brincar! — Sarah disse, pegando no pulso do garoto e puxando-o para perto das outras crianças.

A brincadeira se tornou ainda mais animada com a participação de Sam. Alguns choros escapavam aqui ou ali quando, ainda atrapalhadas, uma das crianças caía e saía correndo na direção de seus pais. Mas logo voltava e um pequeno arranhão no braço ou na perna era exibido como um troféu para as outras crianças.

— Carlos, isso não vale! — Protestou Sarah. A garota havia se irritado porque um dos garotos disse que a pegou, quando na verdade, dizia ela, ele não havia chegado a tocá-la.
— Claro que vale! Eu te peguei, tá com você Sarah! — O garoto de cabelos loiros e cara de criança mimada disse, mantendo certa distância da garota.
—Não pegou não
— Peguei sim!
— Não pegou não, seu ladrão! —
Sarah disse, vermelha de raiva.
— Eu não sou ladrão! — O garoto respondeu, ficando vermelho também.
— É sim! — A essa altura as outras crianças já haviam se juntado em volta dos dois e agora gritavam em coro, rindo e apontando: "Ladrão! Ladrão!".
— Eu não sou ladrão! — O garoto gritou, ainda mais irritado agora que as outras crianças riam da sua cara. Abaixando a cabeça, ele correu e agarrou Sarah com um abraço na altura do peito. Os dois caíram e o garoto começou a puxar o cabelo de Sarah, que agora esperneava e batia nas costas dele. Sam, que até esse momento apenas observava no meio do grupo, correu na direção dos dois gritando:
— Solta ela! Solta ela! — Puxando o garoto, ele derrubou-o no chão e deu-lhe um soco no rosto. Havia já, há algum tempo, começado a treinar com Izumi, começando por artes marciais. Carlos, com a valentia suprimida pelo medo e pela vergonha, levantou-se e saiu correndo para dentro da casa. Sam se aproximou de Sarah e ajudou-a a levantar. Ele abriu a boca para perguntar se ela estava bem, mas antes que pudesse começar a frase, Izumi apareceu as suas costas, seu rosto zangado mostrando que já estava a par do que havia acontecido.

— Samuel Elric! — Ela disse com aspereza. O garoto se virou lentamente para ela, olhando com medo para o rosto da mulher.

Ela levou Sam e Sarah para dentro, puxando Sam com firmeza pelo pulso e guiando Sarah cuidadosamente com a mão atrás de sua cabeça. A garota parecia prestes a chorar, mas segurava as lágrimas e escondia o rosto vermelho de raiva e vergonha atrás dos cabelos loiros. Deixou Sarah com Riza e Roy e, na frente de todos os presentes, inclusive de Carlos e sua mãe que havia se queixado sobre o neto de Izumi, passou um longo e ríspido sermão no garoto. Incapaz de proferir uma palavra sequer, Sam escutava o sermão com a cabeça baixa e os olhos perdidos no seu sapato de couro. Depois do sermão, as crianças voltaram para fora e voltaram a brincar. Só Sarah e Sam ficaram afastados, sentados na grama, cada um olhando para um lado.

— Você tá bem, Sarah? — Sam conseguiu dizer depois de hesitar por um tempo.
— Não! — Ela respondeu em um quase grito, virando o rosto para o lado oposto ao garoto.
— Mas... O que eu fiz? — O pobre garoto, com sua mente de criança de seis anos, não conseguia entender o que se passava na mente da garota, coisa que até os mais sábios homens não conseguem fazer.
— Eu... Eu nunca mais vou precisar que você me defenda! Nem você nem ninguém! — Dizendo isso, ainda irritada, ela se levantou e afastou-se do garoto, que continuou sentado na grama, sem reação alguma. Logo Riza apareceu à porta do quintal e chamou as crianças para cortar o bolo.

Os pequenos entraram na casa como um enxame de abelhas, cada um querendo seu pedaço de bolo. Logo o enxame voltou com vários pratos e copos nas mãos. Os pedaços de bolo logo começaram a se tornar parte da decoração, esparramados pelo chão e paredes. Um homem apareceu à porta do quintal. Trazia um tripé e uma maquina fotográfica, tecnologia avançada, naquela época. Alguns adultos, entre eles Roy, Riza e Izumi, seguiram-no. O homem armou o tripé à sombra de algumas árvores perto da parede da casa e começou a preparar sua máquina. Enquanto isso, Sarah se aproximava de Sam novamente:

— O que foi, Sarah? — O garoto perguntou, vendo que a garota se aproximava lentamente
— Nada, é só que... — Ela chegou perto o bastante e em um movimento rápido, arrancou o prato com o bolo das mãos do garoto. Sam conseguiu apenas observar enquanto a garota corria com o seu bolo, rindo a solta. Voltando a si, Sam levantou e começou a correr atrás dela. Vendo que não conseguia alcançá-la, seu olhos encheram-se de lágrimas e, mesmo com todo seu esforço, começou a chorar enquanto corria atrás de Sarah. Um clarão iluminou o lugar, cujo céu já mostrava tons escuros de laranja e azul.

Os dois se pegaram rindo de repente e, constrangidos, ficaram sérios novamente.


— Obrigado por aquilo... Eu não agradeci daquela vez. — Disse Sarah, usando as estrelas para evitar o olhar de Sam.
— Ah, tudo bem... Aquilo foi um impulso. — Sam respondeu ficando corado.
— Mas isso não muda aquela promessa! Eu não vou mais precisar de você nem ninguém pra me proteger! — Ela virou o rosto para ele de repente e seu olhar penetrante fez com que Sam olhasse para o chão . Ela, percebendo o próprio exagero, olhou para baixo e sorriu, tentando desfazer o clima estranho que seu olhar criou — Aquela bronca que a Izumi te deu na frente de todo mundo foi ótima, hein!— Ela disse rapidamente enquanto ria.
— Pois é... Mas depois, quando nós estávamos sozinhos, ela me parabenizou e disse que estava orgulhosa por eu ter te defendido.
— A senhora Izumi parece ser bem rígida... Eu ouvi dizer que seu pai sofreu bastante nas mãos dela quando criança.


A palavra "Pai" trouxe de volta os pensamentos que a garota havia espantado quando chegou.

— Sabe... Eu queria poder ter conhecido meu pai... — Sam voltou a falar depois de algum tempo. Sua voz parecia tentar segurar as lágrimas que molhavam seus olhos, fazendo-os brilhar[/u] — Todos sempre falam dele com tanto orgulho... Mas ninguém nunca me diz quem ele foi de verdade, sempre ficam me enrolando como seu eu fosse uma criancinha idiota que não pode lidar com a verdade...
— Eu também queria ter conhecido ele... Sempre ouvi grandes palavras à respeito do seu pai, mas infelizmente não tenho nada que você não saiba para contar...
— Tudo bem, não precisa se desculpar... —
Ele olhou para ela e sorriu. O encontro dos olhares fez com que os dois corassem e desviassem o olhar, voltando-o mais uma vez para as estrelas.
— Certo, agora vamos, meus pais devem estar esperando. — Sarah disse, já se levantando.
— Vamos... — Ele sorriu e levantou também, seguindo a garota para dentro da casa.

Seguiram para a porta que ficava antes da escada e passaram por um corredor com alguns quadros de paisagens naturais. No fim desse corredor, uma porta dupla se abria, dando entrada à sala de jantar. Era um aposento grande, com uma longa mesa de seis cadeiras em cada lado e mais duas de cabeceira. Nas paredes de cor branca a luz vermelha do fogo na lareira tremia e dançava como pequenas fadas no ar. Na cabeceira oposta à lareira e mais próxima à porta estava Roy, e ao seu lado esquerdo Riza. Sarah segurou Sam pelo braço e puxou-o até a cadeira à direita de seu pai. Após o garoto ter sentado, ela mesma sentou-se ao lado de Sam. Assim que cada um tomou seu lugar, Roy disse:

— Como está, Sam? — Perguntou olhando para o garoto. Seu olhar em nada lembrava o de um cego que, geralmente, fica com o olhar perdido no espaço sem saber para onde exatamente está olhando. Roy parecia realmente ver tudo e olhava para os olhos de Sam com o mesmo olhar penetrante de quando ainda enxergava.
— Bem... Descansei bastante.
[b] — Que bom! —
[i] Riza disse, olhando para Sam com um sorriso. O tempo e principalmente a maternidade havia lhe tornado mais dócil e muito do "femme fatale" dos tempos de tenente havia sumido. Agora parecia mais uma dona de casa pacata do que uma mulher que podia matar um homem sem piscar os olhos — Sirvam o jantar, por favor![b] — Ela disse para Priscila, a serviçal que havia aberto o portão, e um homem parado ao seu lado, na frente da lareira.


[i] Os dois saíram e logo voltaram trazendo bandejas. O jantar era simples: sopa de legumes e bolo de milho. Os quatro comeram enquanto colocavam a conversa em dia. Em momento nenhum o nome de Edward foi mencionado. Ao fim do jantar Roy pediu a serviçal que trouxesse uma garrafa de vinho e, alguns instantes depois, Priscila entrou na sala com uma garrafa de vinho nas mão. A garrafa, no mesmo verde da maioria das garrafas de vinho, parecia ser bastante velha. Seu papel estava um pouco descolorido e amarelado.


[b] — Aceita um pouco de vinho, Sam? —[i] Roy perguntou, recebendo a taça, com vinho até a metade, das mãos de sua esposa. Edward abriu a boca para responder que sim, mas antes mesmo que pudesse emitir qualquer som, uma voz rouca e imponente vinda da porta dupla tomou conta do ambiente.

[b] — Não, ele não aceita! —
[i] Todos viraram repentinamente para a senhora de cabelos brancos que lhes observava da porta.

Continua...
Continua...

Este post foi editado por Ryushin_Dark: 08 May 2010 - 11:31 PM

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Postou 08 May 2010 - 11:54 PM

Postado cap. 4, finalmente
Agora eu to com net em casa, acho que vou postar mais rápido e ser mais presente no fórum. O que pode ser ruim pra quem não gosta de escutar críticas xD
Gostei bastante desse capítulo, acho que é um dos melhores que eu já escrevi, principalmente algumas partes em que eu tava mais animado pra escrever ^_^
De qualquer forma, espero que alguém leia, que goste e comente ^_^
É isso, valeu pra quem ler e mais ainda pra quem comentar o/
Té mais, falouzes.
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